domingo, 31 de julho de 2011

«Porque foges de mim»?

« Si tu meurs avant moi, je te garderai, si je meurs avant toi, tu me porteras en toi, l’un gardera l’autre, l’aura déjà gardé depuis la première déclaration. Cette double intériorisation ne serait possible ni dans l’intériorité monadique ni dans la logique de l’espace et du temps “objectifs”. Elle a pourtant lieu chaque fois que j’aime. »

J. DERRIDA, « L’aphorisme à contretemps », dans Psyché : inventions de l’autre, Paris, Galilée, 1987, p. 524 (negrito não original)

Imagem disponível em : http://pinceladas-fms.com/poussin_eco_narciso.jpg

«I wish»

«Trying to find the will to carry on»

sábado, 30 de julho de 2011

Bolseir@s (im)possíveis da FCT: Fundação Compulsivo Tradicional (3)

Sumário (para um painel verosímil): ‘Que tipo de técnica é a hermenêutica enquanto techné?’, é a questão que abre um domínio de investigação que permitirá explorar as condições de possibilidade do plano conceptual ricoeuriano a partir da ideia de atestação: «segurança de ser si mesmo agente e sofredor» (Ricoeur, 1990).
A afirmação precedente permitir-nos-á, para lá da tradição platónico-cristã, projectar a contemporaneidade de uma phronesis (Aristóteles, 2004) política ao ultrapassar a hermenêutica moderna de F.Schleiermacher e W. Dilthey através de uma aplicação de sentido que se torne concretizada. Deste modo, o duplo movimento entre ciclo hermenêutico e prudência irá revelar a demarcação para uma hermenêutica contemporânea potencializada pela noção de conflito (Ricoeur, 1965).   
Assume-se, assim, uma discussão literária aberta que procure ordenar ferramentas conceptuais, em vista a interpretar criticamente a ideia de Europa à luz de uma hermenêutica de confiança (Ricoeur, 1969).

Referências do sumário:
Aristóteles (2009). Ética A Nicómaco (3ªed., Caeiro, A. C.,Trad.). Lisboa: Quetzal Editores.
Ricoeur, P. (1965). De l´Interprétation. Essai sur Freud. Paris: Seuil.
Ricoeur, P. (1969). Le conflit des interprétations. Essais d´herméneutique. Paris: Seuil.
Ricoeur, P. (1990). Soi-même comme un autre. Paris: Seuil.
Risos

sexta-feira, 29 de julho de 2011

«L'Avocat de la terreur» num documentário de Barbet Schroeder


Foto-imagem: Corbis-Manf Djamila au Caire U1154113

Djamila Bouhired "o" rosto da Argélia: «Não sabem nada sobre mim, mas saibam que se eu receber ordem para colocar uma bomba, eu fá-lo-ei», “defendida” por Jacques Vergès numa «estratégia de ruptura»: «se o juiz disser: "você é membro de uma associação de criminosos", o arguido dirá: "sou membro duma associação de resistência"».

quinta-feira, 28 de julho de 2011

«somewhere»


«somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which I cannot touch because they are too near»

E.E. Cummings: Complete Poems 1904-1962 (negrito não original)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

«Não há só tangos em Paris»

«Eco-grafias»

“Com efeito, fingindo repetir a última palavra de Narciso, Eco profere afinal outra coisa, assim subtraindo a sua fala à simples repetição: fala de forma inaugural, assinando, melhor, contra-assinando nesse instante a língua de Narciso em seu próprio nome – ou seja, no eco da palavra de Narciso, como um eco da palavra de Narciso, e atestando de viés a impossibilidade do próprio narcisismo, no eco de uma palavra narcísica, sim, é certo, mas como um eco que, na verdade, lhe responde, contra-assinando-a e re-inventando-a, emerge de facto uma palavra nova, um novo idioma, um nome próprio: Eco.”

[BERNARDO, Fernanda, «ECO-GRAFIAS», in Revista Filosófica de Coimbra, nº 39, 2011, p. 257-258 (negrito não original)]

sábado, 9 de julho de 2011

Bolseir@s (im)possíveis da FCT: Fundação Compulsivo Tradicional (2)

Regras verosímeis para se "enquadrar" num painel de avaliação de filosofia:

1. Utilize vocabulário objectivo, com uma ou duas referências "pomposas": entenda-se por "pomposo" vocábulos presentes na tradição platónico-cristã;

2. Demonstre a "originalidade/contemporaneidade" do seu projecto: uma possível ligação à mediática «ideia de Europa» será uma óptima escolha;

3. Não esqueça nunca a referência aos nomes de "autoridade", nomeadamente: Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel (e, na extravagância, talvez possa cometer a loucura de ir até Heidegger!);

4. Substitua todos os itálicos por aspas: afinal, o itálico denota, à partida, uma possível ambiguidade da palavra, pelo que a candidatura (acerrimamente metódica e sistemática) não permite a sua inserção.

5. Após a elaboração do projecto releia-o atentamente, garantindo que não deu "largas à imaginação", assim como não referiu qualquer expressão e/ou nome (ex: Blanchot, Lacan, Lévinas, Derrida e outr@s) que possa conduzir a um "para além" dos nomes de autoridade referidos no ponto 3.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Bolseir@s (im)possíveis da FCT: Fundação Compulsivo Tradicional (1)

(Título de exemplificação, verosímil, para um painel de filosofia): Da Hermenêutica ricoeuriana à contemporaneidade de uma phronesis política.

(Título de exemplificação d@s Bolseir@s (im)possíveis): Na «sombra» do «discurso»: uma «mudança na respiração» criptográfica pelas datas não herméticas «de» Celan.

domingo, 3 de julho de 2011

(passa)tempo(passa)

E, na denúncia silenciosa da expressão (ela mesma golpeante) de um «sofrimento cientificamente quantificável» aparece, das tuas (de que faço minhas) palavras: "uma questão enviesada", a saber, um limite antropocênctrico e falocrático: «a animalidade»/ «a humanidade». Um "click", também, de uma notícia recente: «Modern techniques can cut the number of animals used and improve data quality» (http://www.nature.com/news/2011/110629/full/news.2011.391.html). Outro "click": desliga-se a sensação ilusória de um desenvolvimento (re)pensado para a paixão «do» animal enquanto mistério. De mãos (des)animadas, (des)velo velando, as margens desse «tema», ainda,  autocrático e/ou soberanista, (des)fiando (n)as (entre)linhas derridianas: «entre o animal e o homem não há senão diferenças». 

(passa)tempo

[Numa das minhas "rotinas" predilectas: café, cigarro e jornal, numa qualquer esplanada perdida por …]

Dois "infortúnios" marcaram este nobre "passatempo" – primeiro, um calor abrasador (que quase tornou insuportável o tal cigarro); e segundo, o facto de o Diário de Notícias se encontrar esgotado no momento em que me dirigi ao quiosque, perdendo assim, a possibilidade de "satisfazer" por breves instantes outro dos meus vícios – palavras cruzadas!

Açambarquei-me do Público e segui para uma mesinha recôndita. Por entre o folhear das várias páginas, uma notícia despertou a minha atenção, levando-me quase instintivamente a rabiscar meia dúzia de palavras numa folha à margem. O título era "Holanda proíbe sacrifícios religiosos de animais". Ao ler o breve texto, percebo que o projecto-lei em questão visava, particularmente, os rituais religiosos muçulmanos e judeus, deixando-se ainda em aberto a possibilidade de os mesmos se "reactivarem", caso se comprove "cientificamente que o animal sofre menos com a morte ritual do que com a morte num matadouro comum". Um pouco adiante, poderia ainda ler-se, "Actualmente, a UE obriga os animais a serem aturdidos antes de serem mortos, mas permite excepções para sacrifícios rituais, que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos já considerou um direito religioso".

Um "click" ressoou na minha cabeça de modo quase "automático", mantendo-se ainda, no tom de um daqueles "zumbidos" questionadores que persistem no modo de um peculiar silêncio gritante… Afinal, que formulação será essa de um «sofrimento cientificamente quantificável»?!? Só formulá-lo assim provoca-me calafrios… Não será "apenas" uma questão enviesada entre «a animalidade» e «a humanidade» (expressões que me provocam, talvez, ainda mais calafrios) mas a própria enunciação… O «sofrimento» jamais será quantificável, determinável, padronizável ou até mesmo conceptualizável, e é talvez essa a (im)possibilidade que se torna urgente (re)pensar…

[Não seguirei, aqui, por uma possível "reflexão" em torno da questão «do animal», questão que me levaria, provavelmente, a um "discurso" interminável… No entanto, não resisto a uma nota bibliográfica indispensável em torno deste “tema”, ou melhor, em torno do (re)pensar urgente deste tema – «L’animal que donc je suis» (Jacques Derrida, Galilée, 2006).]