segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

«wow!»

"O nome da empresa surgiu da ligação que esta responsável mantém com a Alemanha e a com a cultura germânica. Dasein é uma corrente existencialista iniciada pelo filósofo alemão Martin Heidegger no século XIX e o fácil trocadilho com a palavra design foi aproveitado para dar origem a esta empresa."

Vamos reler só mais uma vez:

"[...]Dasein é uma corrente existencialista iniciada pelo filósofo alemão Martin Heidegger no século XIX [...]"

E foi exactamente desta breve passagem que surgiu o meu «WOW!».

A citação apresentada foi retirada do DN (mesmo que, há primeira vista, parecesse retirada de um daqueles livros de auto-ajuda que costumam (pre)encher a prateleira coladinha à "secção" de filosofia - organização esta maioritariamente disponível nas livrarias Bertrand! -)

Apenas dois (pequenos) reparos:
1) O facto de Heidegger ter nascido em 1889 não o coloca propriamente "no século XIX" e a "corrente" ficaria talvez melhor "enquadrada" (na minha humilde opinião) no século XX.

2)"Dasein é uma corrente existencialista"...
[Que hei-de eu dizer? O Dasein é uma corrente?!... E uma corrente existencialista?!... Pobre Heidegger que com o seu génio intempestivo deve estar a contorcer-se na campa!]
Dado que ainda estou "sem palavras", poderei apenas apelar a que - por favor, tenham mais cuidado ao recorrer a categorizações "típicas", ainda mais quando se trata de algo que virá a público!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

«Wouldn’t It Be Lovely»?

[poderia ser um filme de terror...]

"Tiro certeiro, mas não fatal. Estirado no chão, o veado mexe as pernas. Miguel Cortes pousa a carabina e grita para o matilheiro que está mais perto do animal: "Pega a faca e faz o remate. Ele está à tua direita, a uns 50 metros." O estrondo fica nos ouvidos e o cheiro a pólvora permanece no ar.
[...]
Andam 400 cães no terreno, agrupados em 16 matilhas.
[...]
Ao longe, veados e gamos fogem dos cães, aos saltos por entre a esteva.
[...]
Miguel aponta, coloca o dedo no gatilho, mas logo desiste. "Não é um troféu, é muito novo, deve ter uns três anos, se tanto." Os caçadores estão nesta montanha pelos troféus. Os melhores "são os mais velhos, com seis, sete anos." A idade vê-se pelo número de pontas nas hastes.
[...]
"Se o bicho não morrer, se ficar ferido, tenho de ir lá com esta faca para fazer o remate, bem no meio do coração." "Ficou ficou, mas ainda está vivo", responde o outro.
[...]
Cada caçador pode matar três animais: dois veados e um gamo ou dois gamos e um veado (os javalis não entram na contagem, podem ser abatidos sem limites).
[...]
Abater as fêmeas é proibido, essa é outra das regras. (...) "é uma forma de manter de garantir a continuidade das populações." A exceção é permitida só no fim da temporada, em finais de fevereiro, por altura do levantamento dos animais: "Todos os anos os contamos. Devemos ter entre 300 e 400 cabeças. Se tivermos muitas fêmeas, então sim, abatemos algumas."
[...]

Legenda de uma das imagens: "Depois de abatidos, os animais são levados para a casa da herdade, onde são expostos no chão, em fila, para serem desmembrados.

[...mas são apenas excertos das 4 páginas da «Grande Reportagem: Um desporto para elites», expostas no Diário de Notícias, pp. 4-7]

DO SENTIMENTO DE REVOLTA À LATÊNCIA INCRÉDULA, APENAS (ME) QUESTIONO - QUANDO ACABARÃO COM ESTE TIPO DE ATROCIDADES?!?

Das tradicionais «coincidências»

Ontem, lia-se:
«Parlamento rejeitou adoção por casais gay»

Hoje, lê-se:
«A união entre um homem e uma mulher nessa comunidade de amor e de vida que é o matrimónio constitui o único "lugar" digno para a existência de um novo ser humano, que é sempre um presente.» (Bento XVI)

[Num suposto Estado "laico" – onde a mentalidade "democrática" permanece, por entre mil e uma camuflagens, irredutivelmente "teocrática".]

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

«Esta Gente/ Essa Gente»

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente


Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente


Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente


Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente


O que é preciso é gente 
que atire fora com essa gente


Essa gente dominada por essa gente
não sente como a agente
não quer
ser dominada por gente


NENHUMA!


A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente

Ana Hatherly, in Um Calculador de Improbabilidades.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

«Travessias»

«Para quê, então, atravessar as pontes abstractas que nos
levam uns em direcção aos outros? Que distâncias se podem
evitar quando julgamos que os seres coincidem
no instante de um olhar?»
Nuno Júdice

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Descubra as diferenças!

SÉC. XIX
“[…] a natureza deu à mulher meios diferentes dos que deu ao homem. A força que Deus pôs no braço do homem, está nos lábios e nos olhos da mulher. A fortaleza e decisão são o vigor do carácter masculino; a generosa resignação, a gentil deferência, a constância no sofrimento e nas privações, são o vigor, não menos poderoso e eficaz, da índole feminina.”

GARRETT, Almeida, Da educação. Cartas dirigidas a uma senhora illustre encarregada da instituição de uma jovem princesa

SÉC. XXI
“O trabalho da mulher a tempo completo, creio que não é útil ao país. Trabalhar em casa sim, mas que tenham de trabalhar de manhã até à noite, creio que para um país é negativo. A melhor formadora é a mãe, e se a mãe não tem tempo para respirar como vai ter tempo para formar. […] A mulher perdeu muito do valor que tinha. Tem muito valor num sentido mas noutro… Um país depende muito, muito das mães, pois é ela que forma os filhos. Não há melhor educadora que a mãe. […] Mas se a mãe tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa e o marido quer falar com ela e não tem com quem falar… Isto é, uma família bem organizada é uma base fundamental para um país.”

Cardeal Manuel Monteiro de Castro
Disponível em: http://www.publico.pt/Sociedade/novo-cardeal-portugues-defende-que-funcao-essencial-da-mulher-e-educar-os-filhos-1534227

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Organon «da» Estupidez (8)


Quem diria que «a» escrita de James Joyce seria «sui generis»?!

Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Finnegans_Wake

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Aspiração" internacional

Talvez seja do cansaço ou até da intolerância – impeço-me de ler a maioria dos comentos políticos que por aí se praticam (poupo-me ao mau raciocínio aliado à má escrita).
Aguardo, de um modo turbulento, o momento em que Pedro Passos Coelho possa "dar o seu lugar" a um "primeiro-ministro" que não passa pela "eleição democrática" (temos exemplos desse fenómeno) …
Sofro, a contra-tempo, a (im)possibilidade da Grécia cair em bancarrota, ao mesmo tempo que os/as imagino padecer de um vírus, mundial e apaticamente, aceite: austeridade (evidenciada em momentos de fome, de tristeza, de pânico, de doença).
Penso, num movimento reticente, na associação entre a Margaret Thatcher e a actual candidata às presidenciais do México, Josefina Vázquez Mota, sob a premissa: "Quero ser a primeira mulher presidente no México"…
Silenciosamente, podia continuar a alucinar-me (alucinando-vos) entre França e Alemanha, entre Rússia e China…silenciosamente!
do Bilderberg Group.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"toutes les soifs…"

toutes les soifs sont des creux de lumière
dans la douleur un temps fort d'origine

dans le grand tableau des pronoms
dis-moi si ma mort va vite d'un siècle
à l'autre s'il faut oublier au fil du temps
l'orchidée, ajourner le délire
dis-moi si cet appétit que j'ai de l'aube
ira au milieu des cultures
trembler comme une obsession, un horizon

BROSSARD, Nicole, "toutes les soifs…" in Brèves littéraires, n° 69, 2005, p. 89.
(acedido em: http://id.erudit.org/iderudit/4963ac)